Adriano Silveira (*)
Há muito tempo a Defesa Civil deixou de ser apenas o órgão que atua após os desastres. Em um cenário marcado pelas mudanças climáticas, proteger vidas significa antecipar riscos, e isso só é possível com informação, conhecimento e tecnologia.
Os eventos extremos estão cada vez mais frequentes e intensos. Fenômenos como o El Niño reforçam essa realidade. Em Salvador, diferentemente do interior da Bahia, seus efeitos costumam favorecer chuvas mais intensas e prolongadas, aumentando a necessidade de monitoramento permanente.
Nesse contexto, a tecnologia tornou-se indispensável. Na Defesa Civil de Salvador, decisões não podem ser tomadas apenas com base na experiência. É necessário contar com uma estrutura capaz de produzir informações confiáveis para orientar cada ação.
Esse trabalho é realizado diariamente pelo Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (Cemadec), que acompanha, de forma ininterrupta, dados de pluviômetros automáticos, estações meteorológicas, sensores geotécnicos, radares, imagens de satélite e modelos de previsão do tempo.
Com base nessas informações, técnicos e gestores avaliam cenários, identificam tendências, mobilizam equipes, emitem alertas e adotam medidas preventivas antes que um desastre aconteça.
Essa mudança representa um novo modelo de gestão de riscos. Se antes a atuação estava concentrada na resposta às ocorrências, hoje a prevenção ocupa papel central. Por isso, a Prefeitura de Salvador investe continuamente em monitoramento, inovação tecnológica, capacitação das equipes e fortalecimento institucional, consolidando a Codesal como referência nacional em gestão de riscos e desastres.
O maior sucesso da Defesa Civil é justamente aquele que passa despercebido: quando um evento deixa de acontecer graças ao monitoramento, ao planejamento e à ação antecipada. Na Defesa Civil de Salvador, os dados são mais do que números; são a base para decisões que salvam vidas.
(*) Diretor-Geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal)