Força tarefa da Defesa Civil de Salvador (Codesal) e do Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan) realizou, ao longo da semana, a varredura de imóveis históricos tombados pela autarquia federal e identificados pelo Projeto Casarões da Codesal como de risco alto (206) e muito alto (81).
As novas vistorias buscam identificar a evolução de manifestações patológicas nas edificações e estruturas físicas que possam acarretar em ocorrências de desabamento e incêndio, elaborando diagnósticos e pontuando soluções para o enfrentamento do problema.
Foram vistoriados 106 imóveis (casarões, museus, conventos, igrejas) ao longo da semana, de risco alto e risco muito alto. As principais patologias identificadas foram deterioração em estruturas de madeira das coberturas e assoalhos; oxidação de ferragens com desprendimento de reboco em paredes e lajes; infiltrações generalizadas e fissuras e rachaduras em alvenarias.
Do conjunto vistoriado, haviam 7 igrejas já listadas com grau de risco alto e muito alto, dessas, 5 foram vistoriadas (4 interditadas e 1 não); mais 9 igrejas tombadas pelo Iphan, que não estavam classificadas em vistorias anteriores, com grau de rico alto ou muito alto, todas foram vistoriadas sendo que 4 destas foram interditadas. No total, 14 igrejas foram vistoriadas, sendo que oito interditadas. A igreja de São Francisco não está inserida nesses números (que foi vistoriada e interditada na semana passada).
Igrejas interditadas:
Igreja de São Miguel; paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem; igreja Nossa Senhora da Ajuda; igreja e Convento dos Perdões; igreja de São Bento da Bahia; igreja dos Quinze Mistérios; igreja da Ordem Terceira do Carmo e convento Santa Clara do Desterro
“Essas vistorias são feitas continuamente e visam mitigar o risco de desabamento e incêndio nos diversos imóveis localizados no Centro Histórico e seu entorno, sendo que notificamos os proprietários e órgãos responsáveis pela manutenção do patrimônio cultural”, explica o diretor-geral da Codesal, Sosthenes Macêdo.
Na chamada mancha de tombamento do Iphan, há um total de 2.017 imóveis históricos tombados, sendo que a maioria – 1.687 – é formada por casarões, além de quatro (4) igrejas, já interditadas por apresentarem risco muito alto.
O Centro Histórico de Salvador abriga imóveis antigos que, ao longo dos anos, passaram por um acelerado processo de degradação, principalmente pela falta de manutenção por parte dos proprietários. Muitos destes imóveis estão totalmente abandonados, a grande maioria tombados, representando risco iminente para moradores e transeuntes.
Projeto Casarões
O Projeto Casarões atua de forma preventiva, por meio de vistorias periódicas somadas às solicitações registradas pelo sistema 199, ações que colaboram para a preservação do patrimônio histórico-cultural do município, de inestimável valor cultural”.
Já foram vistoriados e georreferenciados 2.969 casarões dos quais 109 encontram-se em risco muito alto; 342, alto; 1.656, médio; 677, baixo e 185, sem risco.
Segundo a Defesa Civil de Salvador, os proprietários e moradores são notificados e orientados a deixar os imóveis, quando ocupados, e realizar a recuperação das edificações. O Iphan e o Ipac também são continuamente informados sobre as condições dos imóveis localizados nas poligonais de tombamento.
A subcoordenadora de Áreas de Risco e coordenadora do Projeto Casarões, Rita Morais, cita que uma das grandes dificuldades na gestão das atividades é o acesso ao proprietário ou a recusa de assinar a notificação. “Isso prejudica o principal objetivo do projeto que é o de atuar de forma preventiva, buscando a conservação do patrimônio histórico de nossa cidade”.
As vistorias são feitas a partir de demandas dos moradores ou proprietários, por iniciativa da Codesal ou de solicitações feitas por órgãos parceiros. Todas as inspeções, independentemente de o imóvel ser particular ou público, são realizadas envolvendo análise técnica, executadas por profissionais habilitados.
Ao menor sinal de risco, os ocupantes desses imóveis devem solicitar vistorias pelo telefone gratuito 199.
ASCOM-CODESAL
14.02.2025