
Salvador ampliou a proteção de comunidades que convivem com encostas e com os riscos provocados pelas chuvas. Desde 2015, já foram implantadas 334 geomantas. Somadas às 287 obras de contenção realizadas pela Prefeitura no mesmo período, a capital baiana chegou a 621 áreas protegidas. Por trás deste números estão moradores de diversos bairros que viram a rotina mudar após as intervenções e passaram a conviver com mais segurança e tranquilidade durante os períodos chuvosos.
Somente as geomantas cobrem mais de 190 mil metros quadrados em toda a capital baiana, o equivalente a cerca de 26 campos de futebol. Nos últimos meses, em Pirajá, 26 famílias foram diretamente beneficiadas com a instalação da estrutura. No Lobato, outras 37 famílias passaram a viver com mais segurança após a realização do serviço.
A geomanta funciona como uma espécie de capa de proteção para a encosta. Ao cobrir o terreno, ela evita que a chuva atinja diretamente o solo e reduz a quantidade de água que penetra na área. Com menos infiltração e desgaste da terra, diminui também o risco de deslizamentos, principalmente durante os períodos de chuva intensa.
“Atualmente, com centenas de encostas já protegidas por essa tecnologia na nossa cidade, nós conseguimos impermeabilizar o solo e evitar que a água da chuva provoque deslizamentos. Vale também ressaltar que a geomanta é uma proteção de encosta de baixo custo de manutenção, e que já trabalhamos há mais de dez anos com ela. Porém, o seu maior valor é a tranquilidade que ela proporciona aos moradores soteropolitanos”, afirma o diretor-geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Adriano Silveira.
No Lobato, Antônio Luiz Alves, de 73 anos, conta que, antes da intervenção, dormir em dias de chuva era motivo de preocupação para sua família. Ele recorda que, durante o período chuvoso, alguns vizinhos precisavam deixar suas casas preventivamente e seguir para um abrigo no bairro, devido ao receio de deslizamentos na encosta.
No bairro, a geomanta foi aplicada em julho, em dois trechos de uma encosta localizada na Rua Santo Antônio. A estrutura cobriu uma área total de 750 metros quadrados, com investimento de R$ 140 mil. “Isso devolveu o sono a essa comunidade, que não dormia toda vez que chovia bastante. Então, a geomanta ajudou substancialmente esta comunidade. Essas famílias, nesses períodos, tinham que sair de casa e ir para o abrigo, exatamente por conta dessa preocupação. Hoje, você não tem mais isso. Nesse trecho, não é mais necessária a evacuação”, relata o diretor da Codesal.
Segurança
Aos 27 anos, Suelen Nascimento também conhece de perto essa realidade. Moradora de Pirajá, ela conta que sua família chegou a mudar de endereço quatro vezes devido ao receio de deslizamentos. Nos períodos de chuva forte, partes do terreno cediam, e a terra chegava a bloquear a passagem pela região.
“A gente não tinha segurança nenhuma por causa do risco de deslizamento. Chegamos a nos mudar por conta desse perigo. Tinha deslizamento sempre. Sempre deslizava um pedaço, e a gente tinha muito medo de que a encosta deslizasse totalmente e atingisse as casas onde a gente morava na época. Tinha muito mato, era muita terra. Normalmente, a passagem ficava fechada e a gente não conseguia passar. Então, era bem complicado”, afirma.
Suelen decidiu deixar o bairro, mas retornou recentemente a Pirajá. Segundo ela, a maior sensação de segurança tornou mais fácil a decisão de voltar para uma região onde já tinha vínculos. No bairro, a geomanta foi entregue em agosto, na Travessa Sérgio de Oliveira, com investimento de cerca de R$ 75 mil.
“Agora está muito melhor, está muito seguro. Eu voltei para cá justamente por isso. Voltei porque gosto do lugar, já conheço o bairro e o ambiente. E, tendo agora essa segurança, para mim ficou muito mais fácil”, completa.
Texto: Marco Pitangueira e Nilson Marinho / Secom PM

Projeto-piloto combina imagens de satélite e levantamentos de alta precisão para acompanhar mudanças na faixa de areia e subsidiar ações de proteção da orla de Salvador
A Defesa Civil de Salvador (Codesal), em parceria com a Prefeitura de Salvador, iniciou um projeto-piloto para acompanhar a erosão costeira em quatro praias da Barra. A iniciativa combina análises de imagens de satélite e levantamentos topográficos de alta precisão para identificar alterações na faixa de areia e produzir informações técnicas que auxiliem o planejamento e a conservação da orla. A Prefeitura de Salvador já adquiriu os equipamentos necessários para que sejam realizados os levantamentos.
A escolha dos trechos considerou um estudo preliminar que identificou mudanças na linha de costa ao longo das últimas décadas, além das características geomorfológicas das praias e da importância da região para o turismo, a dinâmica urbana e o uso público. As visitas de campo estão previstas para ocorrer ao longo deste segundo semestre e do próximo ano.
Para o diretor-geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Adriano Silveira, a iniciativa fortalece o planejamento preventivo e amplia o conhecimento sobre as condições do litoral soteropolitano. “Precisamos compreender melhor as transformações que ocorrem nas nossas praias para orientar decisões e planejar medidas de proteção. Esse trabalho nos permite garantir a segurança da população, preservação da orla, manutenção da frequência dos turistas e preservação dos equipamentos públicos”, afirma.
Tecnologia e metodologia adotadas
Os levantamentos utilizam a tecnologia GNSS RTK, sistema de posicionamento por satélite que, com correções em tempo real, permite obter coordenadas com precisão centimétrica. O recurso possibilita mapear o relevo das praias em detalhes e comparar as medições realizadas em diferentes períodos. A previsão é realizar levantamentos periódicos, preferencialmente mensais, com campanhas adicionais após eventos climáticos extremos.
De acordo com Gabriel Pugliese, coordenador do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Salvador (Cemadec) e oceanógrafo, a metodologia, por sua vez, ajuda a compreender a dinâmica natural desses ambientes. “As praias estão em constante transformação pela ação das ondas, das correntes e do transporte de sedimentos. Com medições precisas e comparações ao longo do tempo, podemos identificar melhor os trechos que apresentam sinais de erosão e compreender como essas mudanças evoluem”, explica.
Os dados serão organizados em programas de Sistemas de Informação Geográfica (GIS), como o QGIS, e integrados a imagens de satélite e técnicas de reconstrução batimétrica, ampliando a análise da morfologia costeira, inclusive em áreas com afloramentos rochosos. Além disso, os dados ainda estão em fase de coleta e análise, e a divulgação dos resultados será realizada posteriormente, ainda sem data definida.
Prevenção e planejamento
Os primeiros resultados poderão ser obtidos após as medições iniciais. Entretanto, a formação de uma série histórica consistente exige pelo menos um ano de acompanhamento, período necessário para observar as variações sazonais e compreender melhor o comportamento das praias em diferentes épocas do ano.
As informações poderão subsidiar medidas preventivas, orientar o planejamento urbano e ambiental e contribuir para a proteção da infraestrutura costeira. A proposta é ampliar gradualmente o trabalho para outras praias da capital, conforme os resultados do projeto-piloto e o planejamento das próximas etapas.
Nesta fase, a execução está sob responsabilidade da Codesal. O órgão também mantém contato frequente com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) para avaliar possibilidades de colaboração.
Mudanças climáticas e possíveis intervenções
O trabalho também considera os desafios associados às mudanças climáticas, como a elevação do nível do mar e possíveis alterações nas condições das ondas e na ocorrência de eventos extremos. O conhecimento sobre a evolução da linha de costa poderá ajudar a identificar áreas que demandem maior atenção, especialmente após ressacas.
A iniciativa não contempla, neste momento, intervenções físicas nas praias. A alimentação artificial, por exemplo, consiste na reposição de areia em trechos afetados pela erosão, mas sua adoção depende de estudos sobre a dinâmica dos sedimentos, a compatibilidade do material e os impactos ambientais. Também é necessário avaliar possíveis efeitos sobre as praias vizinhas.
“Conhecer a realidade de cada trecho da nossa orla é essencial para definir prioridades e planejar ações responsáveis. Estamos investindo em conhecimento técnico para que Salvador se torne uma cidade cada vez mais resiliente e preparada para enfrentar as mudanças climáticas, os desafios costeiros e com praias preservadas”, ressalta Adriano Silveira.
Por fim, a participação da população soteropolitana também é fundamental, por isso, entre as recomendações estão evitar o descarte de resíduos nas praias, respeitar a vegetação de restinga e as áreas naturais costeiras e comunicar às autoridades situações como erosão acentuada ou danos em estruturas próximas ao mar.
“Com esse acompanhamento, vamos conseguir enxergar melhor esses processos e ter uma base técnica para orientar as decisões. É um trabalho que exige constância, porque uma praia não se analisa só com uma medição isolada, mas com o conjunto de informações coletadas ao longo dos meses. E isso vai ajudar não só a Codesal, mas toda a cidade a se preparar melhor para os desafios que estão por vir”, conclui Larissa Rayanny, oceanógrafa da Codesal.

A 18ª edição do Viver Salvador nos Bairros foi realizada no último dia 26, no Bairro da Paz, na Rua Rafael Pastore Neto, das 8h às 13h. Esta foi a última edição do projeto em 2026. Na edição anterior, realizada na Arena Calabetão, foram registrados 2.498 atendimentos e elevou para 40.752 o número de pessoas beneficiadas desde o lançamento do projeto.
Promovido pela Prefeitura de Salvador, o Viver Salvador nos Bairros tem como objetivo aproximar os serviços municipais das comunidades, facilitando o acesso da população e evitando que os moradores precisem se deslocar para outras regiões da cidade em busca de atendimento. Ao longo do dia, foram oferecidos serviços de assistência social, trabalho, cidadania, educação, cultura, lazer, beleza e bem-estar.
Serviços
Na área da saúde, foram disponibilizados atendimentos médicos e pediátricos, vacinação humana e de pets, testes rápidos para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), serviços de saúde bucal, exames cardiológicos, ultrassonografia e mamografia.
Quem estava em busca de emprego pôde contar com o Serviço Municipal de Intermediação de Mão de Obra (Simm), que oferecerá orientação para elaboração de currículos e inscrição em cursos de capacitação. A programação incluiu ainda atendimentos dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), inscrição e atualização do Cadastro Único (CadÚnico) e regularização de taxas municipais.
Cultura, lazer e inclusão
O público também pôde participar de atividades culturais e recreativas, como exposição de mosaicos, circuito de bicicletas infantis, recreação, pinturas, atrações circenses, oficina de grafite, apresentações de artistas locais, dança e atividades esportivas.
A programação também contou com ações de inclusão e cidadania, com orientações sobre direitos e acesso a programas destinados à população negra, pessoas LGBT+, comunidades quilombolas e povos e comunidades de terreiro. Na área de beleza e bem-estar, foram oferecidos serviços de esmaltação, massoterapia, design de sobrancelhas e tranças.
Texto: Fabiane Humildes / Secom PMS.
A Prefeitura de Salvador entregou na última sexta-feira (11) o Campo do Cosmo, em Mussurunga, após investimento de aproximadamente R$ 1,5 milhão, e anunciou um pacote de mais 101 campos e quadras que serão reformados ou implantados na cidade, em um investimento total de R$ 54 milhões. Dos 101 espaços esportivos, 44 serão de grama sintética.
Com a execução desse pacote, a capital baiana alcançará 160 arenas com grama sintética, de acordo com o prefeito Bruno Reis. “É a cidade do Brasil com o maior número de campos de grama sintética no país; todos gratuitos, muitos deles funcionando 24 horas. Por exemplo, já é a quinta vez que vamos substituir o gramado do campo na orla do Rio Vermelho, tendo em vista a grande utilização que tem”, afirmou o gestor municipal, durante a inauguração do campo em Mussurunga.
No Campo do Cosmo, além do gramado sintético, foram realizados serviços de recuperação de drenagem, manutenção do alambrado, pintura de muretas, rede de cobertura lateral e iluminação em LED. Os serviços foram realizados pela Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), através da Superintendência de Obras Públicas do Salvador (Sucop).
Ainda durante a entrega, Bruno Reis apontou a evolução na política de implantação de campos na cidade nos últimos anos. “No passado, o anseio das pessoas era que a gente passasse uma patrol no campo de futebol e garantisse a iluminação. Hoje, diante da nova realidade da Prefeitura e da nova Salvador que construímos, a maior expectativa é de que a arena seja de grama sintética”, comparou o chefe do Executivo soteropolitano.
Segundo o prefeito, os campos gratuitos trazem benefícios de todos os tipos para as comunidades da capital baiana.
“Equipamentos como esse ajudam milhares de crianças e jovens a ficarem longe das drogas e do crime. Muitos têm o sonho de serem atletas profissionais, mas mesmo para quem não seguir essa carreira, o esporte vai transmitir ensinamentos que vão ajudar no futuro, seja qual for a atividade profissional. Além disso, o esporte é vida, é saúde. Por isso nós investimos tanto no esporte. Em nenhum outro momento na história dessa cidade se investiu tanto em programas e projetos na área do esporte”, acrescentou Bruno Reis.
O secretário municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), Júnior Magalhães, reforçou a importância dos campos e quadras para a população soteropolitana, inclusive como espaços de socialização.
“Um campo desse não é apenas uma intervenção urbanística; ele muda o cenário da comunidade, fomentando a prática esportiva, incentivando crianças e adolescentes. Cria o principal ponto de interação social da comunidade. Então, estamos muito felizes em poder anunciar esse pacote hoje para a cidade de Salvador”, pontuou o titular da Sempre.
O diretor-geral da Defesa Civil de Salvador, Adriano Silveira, também esteve presente no evento.
Gestores de todo o país se reúnem no próximo dia 25 em Campinas para discutir sobre calor extremo
O diretor-geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Adriano Silveira, representará o prefeito da capital baiana, Bruno Reis, no evento promovido pela Prefeitura de Campinas, pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) e pela WRI Brasil – organização global de pesquisa que trabalha para proteger a natureza e combater a mudança do clima.
Com o tema “Calor Extremo e Saúde: Evidências, Impacto e Respostas dos Municípios Brasileiros”, o evento será realizado no próximo dia 25 de agosto, na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em Campinas, São Paulo, e reunirá especialistas e gestores de todo o país para debater os impactos das ondas de calor nas cidades brasileiras.
“A participação de Salvador neste debate é estratégica. Enquanto gestores, temos o dever de nos preparar para os desafios provenientes das mudanças climáticas, que já são uma realidade. O calor extremo não é mais uma ameaça distante, por isso precisamos de respostas integradas e de troca de experiências entre as cidades para garantir a proteção da população”, ressalta Adriano Silveira, diretor-geral da Codesal.
A programação do evento inclui debates sobre as evidências científicas e os impactos das ondas de calor na saúde da população, além de visitas técnicas e a reunião conjunta da Comissão Permanente de Saúde e da Comissão Permanente de Adaptação, Mitigação e Prevenção de Desastres (CAMP) da FNP, fortalecendo a integração entre as agendas de saúde pública, adaptação e resiliência climática.
Salvador tem se destacado nacionalmente na pauta climática. Em setembro de 2025, a capital baiana sediou a 20ª reunião da Comissão de Adaptação Urbana e Prevenção de Desastres (CASD) da FNP, com o tema “Calor Extremo e Saúde nas Cidades”, quando foi lançado o livro “Defesa Civil e os Novos Paradigmas”, elaborado pela Prefeitura de Salvador, por meio da Defesa Civil de Salvador. A participação do diretor-geral da Codesal no encontro em Campinas reafirma a posição de Salvador como referência na busca por soluções para os desafios climáticos e na proteção da população.
“A troca de experiências entre os municípios é fundamental para construirmos cidades mais seguras e resilientes. Levaremos para Campinas as boas práticas de Salvador e iremos adquirir novas experiências e conhecimentos, visando aprimorar nossas políticas públicas”, conclui Silveira.
A Defesa Civil de Salvador (Codesal) realizou na última quarta-feira (12), às 14h, a entrega oficial da obra de proteção de encosta com geomanta, na Travessa Sérgio de Oliveira, no bairro de Pirajá. A intervenção, que integra o programa de contenção de encostas da Prefeitura de Salvador, representa um investimento de R$ 74.354,93 e beneficia diretamente 26 famílias, que residiam em uma área classificada com grau de risco alto.
A geomanta, por sua vez, é uma tecnologia de estabilização do solo, proporcionando mais segurança e melhorando o aspecto urbanístico da localidade. Até o momento, Salvador possui 328 geomantas instaladas em várias áreas de risco da capital baiana.
“Salvador é uma cidade com geografia acidentada, e as obras de contenção e proteção de encostas são fundamentais para reduzir riscos, prevenir desastres e preservar vidas. Essa entrega traz mais tranquilidade e dignidade para as famílias que vivem em áreas de vulnerabilidade”, concluiu o diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira.
Além de Adriano Silveira, a cerimônia contou com a presença da subprefeita Kelly Morais, reafirmando o compromisso da gestão municipal com a segurança da população em todas as regiões da cidade.