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ÁREAS DE RISCO

METODOLOGIA PARA DEFINIÇÃO E MAPEAMENTO DAS ÁREAS DE RISCO GEO-HIDROLÓGICO DE SALVADOR

1. Fundamentação Metodológica

A metodologia adotada pela Defesa Civil de Salvador para o mapeamento de áreas de risco geo-hidrológico baseia-se na análise integrada de condicionantes naturais e antrópicos, com enfoque na identificação de áreas suscetíveis a processos de instabilização de encostas (movimentos de massa) e ocorrência de alagamentos.

O método considera a correlação espacial e estatística entre variáveis geotécnicas, geomorfológicas, hidrológicas e registros históricos de ocorrências, permitindo a delimitação de áreas prioritárias para intervenção.

Os principais fatores analisados incluem:

  • Histórico de ocorrências de deslizamentos, ameaças de deslizamento e alagamentos;
  • Declividade do terreno;
  • Configuração geomorfológica, com destaque para vales e planícies associadas à drenagem natural;
  • Variabilidade litológica (presença de diferentes litotipos);
  • Condições de ocupação e vulnerabilidade socioeconômica.

2. Etapas da Metodologia

2.1. Primeira Etapa – Definição da Área de Estudo e Delimitação da Poligonal

A delimitação das áreas de estudo é realizada a partir da análise espacial da densidade de ocorrências geo-hidrológicas registradas e georreferenciadas no Sistema de Gestão da Defesa Civil.

O procedimento consiste em:

  • Compilação e tratamento dos dados históricos de ocorrências;
  • Análise de densidade de eventos (grupamento espacial);
  • Integração com dados socioeconômicos, visando identificar áreas com maior vulnerabilidade;
  • Delimitação de poligonais que representem setores críticos homogêneos do ponto de vista do risco.

2.2. Segunda Etapa – Levantamento de Campo e Validação

A etapa de campo tem como objetivo validar e refinar a delimitação das áreas previamente definidas, sendo conduzida por equipe multidisciplinar com expertise em geologia, geotecnia, engenharia civil e áreas correlatas.

2.2.1. Procedimentos de Campo

  • Inspeção técnica in loco;
  • Identificação de setores críticos dentro da poligonal;
  • Registro fotográfico e georreferenciamento;
  • Levantamento de evidências de instabilidade e condições de drenagem;
  • Avaliação da exposição de edificações e infraestrutura.

2.2.2. Parâmetros de Avaliação – Risco de Deslizamento

A caracterização do grau de risco de movimentos de massa considera:

a) Feições erosivas e indicadores de instabilidade:

  • Presença de ravinas e voçorocas;
  • Cicatrizes de escorregamentos pretéritos;
  • Degraus de abatimento;
  • Taludes com cortes íngremes ou verticalizados;
  • Indícios de deformações estruturais (inclinação de postes, muros fissurados, etc.).

b) Cobertura vegetal:

  • Tipo e eficiência da vegetação na proteção superficial do solo;
  • Presença de espécies inadequadas à estabilidade (ex.: bananeiras).

c) Atributos físicos e intervenções antrópicas:

  • Geometria da encosta (altura e declividade);
  • Condições de drenagem superficial;
  • Existência e estado de obras de contenção;
  • Presença de sistemas de proteção superficial (ex.: geomantas).

2.2.3. Parâmetros de Avaliação – Risco de Alagamento

A análise do risco de alagamento considera:

  • Proximidade das edificações em relação aos cursos d’água e talvegues;
  • Condições da rede de micro e macrodrenagem;
  • Presença de obstruções ou assoreamento;
  • Configuração topográfica local (áreas deprimidas e planícies de inundação).

2.3. Terceira Etapa – Análise de Dados e Elaboração dos Produtos Técnicos

A etapa final consiste no tratamento e interpretação dos dados obtidos em campo, com vistas à consolidação das informações e geração dos produtos técnicos.

2.3.1. Atividades Desenvolvidas

  • Sistematização dos dados coletados;
  • Análise integrada dos condicionantes de risco;
  • Classificação e hierarquização dos graus de risco;
  • Delimitação final dos setores de risco.

2.3.2. Produtos Gerados

  • Mapas de risco geo-hidrológico (movimentos de massa e alagamentos);
  • Relatórios técnicos descritivos;
  • Base de dados georreferenciada;
  • Subsídios para planejamento urbano e ações de redução de risco.

3. Considerações Técnicas

A metodologia adotada permite uma abordagem sistemática e replicável, assegurando:

  • Integração entre dados históricos e observações de campo;
  • Consistência técnica na classificação dos riscos;
  • Suporte à tomada de decisão em gestão de desastres;
  • Priorização de áreas para intervenções estruturais e não estruturais.

Adicionalmente ocorre o monitoramento, que consiste num processo dinâmico, sendo atualizado continuamente a partir de novos registros de ocorrências e reavaliações de campo, garantindo a evolução permanente da base de conhecimento sobre os riscos geo-hidrológicos no município de Salvador

De 2016 a 2026 foram mapeadas 187 (cento e oitenta e sete) áreas de risco.

Clique aqui para ver as Áreas de Risco Mapeadas disponíveis para Download

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